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Proíbam patentes de tecnologia de geoengenharia

Físico David Keith, que trabalha com tecnologias para bloquear a luz solar e diminuir o aquecimento global, argumenta que esses esforços...


Físico David Keith, que trabalha com tecnologias para bloquear a luz solar e diminuir o aquecimento global, argumenta que esses esforços devem permanecer em domínio público

flickr/kahunapulej
Pesquisadores que estudam tecnologias para tentar diminuir o aquecimento global querem que o governo as mantenha fora das mãos do setor privado, declarou um influente cientista essa semana.

David Keith, professor da Harvard University e consultor em energia de Bill Gates, contou que ele e seus colegas pesquisam se o governo federal poderia proibir patentes na área de radiação solar.

A tecnologia, também conhecida como geoengenharia, envolve um tipo de manipulação do clima. Emissões de enxofre – um material refletivo – na estratosfera poderiam compensar o efeito de aquecimento do dióxido de carbono e esfriar o planeta, afirmou Keith. “Seria muito eficaz, mas com possibilidades de criar conflitos entre nações”, advertiu o pesquisador.              

“Essa tecnologia permite a qualquer país afetar todo o clima em escala gigantesca, o que pode, literalmente, levar à guerra”, alerta Keith. “É um tipo de influência enorme e assustadora”.

Keith falou sobre a tecnologia e o seu trabalho com clima e energia na conferência Brainstorm Green, da revista Fortune, na segunda-feira.  Além de ministrar aula de física aplicada e política pública, ele administra o filantrópico Fund for Innovative Energy and Climate Research.

Gates passou a patrocinar o grupo com fundos pessoais após reunião sobre o clima com Keith e outros conselheiros. O fundo, que gastou US$ 4,6 milhões desde 2007, financia pesquisas sobre radiação solar.

Keith começou a estudar radiação solar há cerca de 20 anos, “quando ninguém mais trabalhava com isso”, observou ele. Agora que outros investigam o assunto, o pesquisador ressalta que o tabu foi quebrado e, de repente, há um número razoável pesquisas em curso e pessoas começando a pensar mais seriamente sobre isso.
O governo poderia proibir as patentes?

Com uma discussão mais ampla sobre o assunto, alguns pesquisadores acreditam ser o momento de assegurar que sejam tomadas precauções para evitar conflito internacional. Na semana passada, alguns dos colegas de Keith viajaram para Washington, onde foi discutido se o Pattent Office americano poderia proibir patentes desta tecnologia.

“Acreditamos que seja muito perigoso que essa tecnologia de radiação seja privatizada”, alerta Keith. “Tecnologias de base devem ser de domínio público”. Os familiarizados com regras de patentes, segundo ele, descreveram o caso como território desconhecido, em sua maioria: “Não há muitos precedentes legais. Armas nucleares são um precedente parcial”. Os Estados Unidos não poderiam proibir patentes em outros países, mas exercem influência nessa área, avaliou.

“De qualquer forma, patentes nessa área são, sobretudo, simbólicas,” esclareceu ele. “A questão é tentar encontrar modos de reduzir a tensão potencial entre países em torno dessas tecnologias, mostrando que a ação seria a mais transparente possível”. Além da escalada potencial de problemas de política internacional, a tecnologia leva a outros riscos. As partículas poderiam equilibrar as temperaturas da Terra, mas teriam efeitos colaterais.

“Se você continua a aumentar a quantidade de dióxido de carbono e ainda a de enxofre na estratosfera consegue manter a temperatura da superfície constante”, sustenta Keith. No entanto, outros fatores começam a dar cada vez mais errado, já que há cada vez mais CO2 na atmosfera. “Portanto, esse não é um substituto perfeito, mas pode ser uma forma razoável de reduzir o risco durante o próximo meio século”.

O trabalho sobre radiação solar é uma parte da pesquisa energética em que o físico está envolvido. Ele administra também uma empresa nova chamada Carbon Engineering, que tenta construir o hardware para sequestrar carbono atmosférico. Ele já gastou cerca de US$ 6 milhões nesse projeto – dos quais aproximadamente US$ 3,5 milhões foram doados por Bill Gates.
Falta de consenso mais amplo

Na conferência, onde muitos discutem inovações, Keith advertiu que elas não serão suficientes para impedir que a mudança climática se torne um problema sério.

“Nenhum reparo técnico resolve esse problema sem algum tipo de consenso de amplo alcance social de que vale a pena resolvê-lo”, enfatizou Keith. “Eu não acho que estejamos nesse ponto ainda”.

“Não é uma questão apenas de os políticos estarem estragando tudo. Eles estão, mas, na verdade, nós não conseguimos convencer a população a encarar esse problema com seriedade”. Isso envolve levar as pessoas a pensar sobre seus bisnetos, além de considerar os demais países.

Keith criticou ainda a atuação do país até agora em relação ao clima. As pessoas se envolvem em ações simbólicas em vez de significativas, como focar na produção de melhor plástico e não olhar para as fontes enormes de emissões de carbono, como viagens de avião.

No ano passado, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 260 bilhões em recursos públicos, que é cerca de 0,4% do produto interno bruto, pontua Keith. “Com esse tipo de gastos, você deve esperar para realmente ver os freios funcionarem sobre os níveis de gás de efeito estufa”.

“Só que as emissões subiram 7% em 2010”, informou Keith. Isso significa que a visão de que seria fácil cortar emissões está equivocada, ou a forma como os recursos foram gastos não é eficaz. Ou as duas coisas”.

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